Os riscos neurológicos da prematuridade

A duração normal de uma gestação é de nove meses, ou melhor, entre 37 e 42 semanas, este é o período ideal para que o bebê desenvolva e amadureça adequadamente. Quando a gestação é interrompida antes desta data o recém-nascido é considerado prematuro e corre riscos de apresentar doenças e alterações do desenvolvimento.

Alguns dos motivos pelos quais a gestação pode ser abreviada são: infecções maternas (mais comumente a infecção urinária), pressão alta materna, descolamento prematuro de placenta, diabetes, infecções congênitas e perda de líquido amniótico. Quando isso acontece e a depender da idade gestacional deste recém-nascido, vários cuidados devem ser tomados a curto e longo prazo.

Em um primeiro momento, os cuidados e tratamentos são iniciados a nível hospitalar, em muitos casos em unidades de terapia intensiva (UTI) por um período variável de acordo com as condições clínicas do paciente. As intercorrências neurológicas mais frequentes neste momento são: apneias, crises epilépticas, distúrbios de deglutição, hemorragias cerebrais e leucomalácia periventricular.

Em um segundo momento, após a alta hospitalar, os bebês que nasceram com menos de 32 semanas ou entre 32 e 37 semanas e associado a outra condição neurológica, devem fazer acompanhamento ambulatorial até os 02 anos de idade. O objetivo deste acompanhamento é o de tratar condições clínicas já estabelecidas ou avaliar o desenvolvimento na intenção de intervir precocemente quando alterações são detectadas.

Neste seguimento neurológico busca-se, predominantemente, informações sobre as etapas do desenvolvimento e avaliação do exame físico neurológico, com atenção especial para os aspectos motores, cognitivos, social, linguagem e perímetro cefálico. Tudo isso, levando em consideração a idade corrigida deste lactente, ou seja, a idade que ele teria caso houvesse nascido na época certa.

Nos casos onde são encontrados desvios da normalidade é fundamental que se faça uma detecção precoce na intenção de identificar e encaminhar as crianças que necessitam de intervenção terapêutica e assim diminuir o risco de danos neurológicos posteriores.

Por Dra. Luciana Carriço (CRM/RN 4867)

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