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Reconhecendo as crises epilépticas

Por Dr. Marcelo Marinho (CRM/RN 5681)

Reconhecendo as crises epilépticas - Neurolife
A epilepsia é uma enfermidade neurológica decorrente da ocorrência de descargas elétricas anormais e excessivas em uma parte específica do cérebro ou em sua totalidade. O tipo de crise epiléptica e por consequente a sua manifestação clínica irá depender da região cerebral onde ocorre a descarga elétrica excessiva, assim como se essas descargas permanecem somente ali localizadas ou se propagam a outras regiões cerebrais, podendo atingir simultaneamente todos os neurônios.
O reconhecimento da ocorrência de uma crise epiléptica não parece ser um grande desafio, tanto para a população em geral como para profissionais da área da saúde. Esta frase pode ser confirmada apenas para a crise generalizada do tipo tônico-clônica, como exemplificado na descrição abaixo de um familiar:
“Meu pai revirou os olhos, eu via o branco dos olhos, espumou bastante pela boca, fechou a boca e mordeu sua língua, ficou com os braços e pernas duros e se debatendo, depois fez xixi na roupa e demorou bastante para acordar”.
Ao se deparar com a situação acima descrita, facilmente profissionais da saúde ou a população geral irá afirmar: o paciente está tendo uma crise epiléptica. Esta informação está correta. Mas, o cérebro é um órgão muito complexo, cada região específica do cérebro desempenha uma função diferente, desta forma, podemos ter muitas crises epilépticas com manifestações diferentes das relatadas acima.
A crise epiléptica classificada como parcial, ou seja, decorrente de descargas elétricas somente de uma determinada região de um hemisfério cerebral, pode fazer com que o paciente não perca sua consciência (crise parcial simples), sendo capaz de relatar com detalhes tudo o que sentiu, ou, em alguns casos, podem comprometer a consciência (parcial complexa), tornando-o incapaz de descrever com detalhes todos os sintomas sentidos. Durante uma crise parcial simples os sintomas apresentados podem ser simples sensações de formigamento ou dormência em uma região corporal, contrações musculares involuntárias em um braço ou perna, sintomas inespecíficos como um mal-estar ou desconforto gástrico, sintomas repentinos de medo sem motivo aparente ou sensação estranha de familiaridade (dejà vu). Nas crises parciais complexas, o paciente pode apenas ficar meio confuso, com uma parada comportamental, fazendo gestos mecânicos de mastigação e continuar exercendo a tarefa que estava realizando de modo automático.
Nas crises generalizadas, temos a crise de ausência que pode ser manifestada apenas por períodos de poucos segundos, onde se observa que a pessoa “desligua” por um instante e depois pode voltar ao que estava a fazer, muitas vezes nem percebendo que ocorreu uma crise. Desta forma, é fundamental perguntar às pessoas próximas se observaram estes sintomas. Outro tipo de crise epiléptica é a crise mioclônica, onde temos a presença de movimentos involuntários como abalos musculares rápidos, como tremores, “saltos”, ou “pulos” dos músculos do corpo. É comum aparecerem crises geralmente ao acordar, muitas vezes precipitadas por privação do sono ou estresse. Após exercícios físicos extenuantes, antes de dormir, podemos ter a sensação de estar caindo no vazio e um estremecimento motor, mas isto se trata de uma reação fisiológica normal provocada pela exaustão.
Após estas explicações, devemos ficar atentos a todas as possíveis manifestações das crises epilépticas. Em caso de dúvida se determinado sintoma pode ser uma crise epiléptica ou não se recomenda procurar seu neurologista para investigação e esclarecimentos.

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